Um Ponto Além do Sofrimento

18/05/2010 00:30

Gostei tanto deste texto que quero compartilhar com todos. Boa leitura!

 

Por Monge Shankar

Agora você está lendo estas linhas, portanto preste muita atenção no que vou dizer.

Você já se perguntou QUEM está lendo estas linhas?

Tu responderás: "Sou eu".

Mas será que você sabe exatamente quem ou o que é este eu?

Acompanhe-me nesta viagem:

1° Em primeiro lugar torna-se útil despir-se das crenças.

Vamos ter coragem de ficar só com o que os cinco sentidos nos têm a oferecer, sem ficar imaginando prolongamentos para o próprio ego?
Convido você a jogar fora a noção de "alma" ou "espírito" (ao menos temporariamente, enquanto lê este texto). Por enquanto vamos brincar de fingir que você não acredita nisso.

Eis a pergunta: o que temos aqui e agora?

Acaba sobrando o corpo (o que é meio óbvio) e "algo mais" que anima este corpo (pois a condição atual difere da de um cadáver) que você pode chamar de "mente" ou "função cerebral" (memórias, raciocínios, etc).

Então responda: 
O que faz com que você seja você?

Esta é uma forma mais elaborada de perguntar: Quem é você?

Dizem que o Yoga é autenticidade (ser quem somos), porém quem somos?

E não vale dizer que "sou o conjunto", pois quem está dizendo que é isso ou aquilo é o Eu que evidencia esse conjunto, e não as partes inertes em si. Isso seria um sofisma.

Como você sabe que é o conjunto se não houvesse um Constatador de algo para dizer: "sou isso ou aquilo"?

E onde está isso?

Dado o primeiro pressuposto sobram-nos o corpo e a mente. Vamos lá:

2° Serei Eu o corpo?

Veja bem, assim como o espelho não se reflete, a balança não se pesa, a faca não se corta e o olho não se vê, o visível não é o Vedor.

A cada sete anos (setênios) todas as células trocam. Umas morrem e outras nascem. TODAS. Se a cada sete anos temos um corpo novo e achamos que somos o corpo, eu pergunto: qual?

Vários corpos se foram e você ficou. Portanto tudo que mudares no corpo não fará com que você vire outra pessoa. Logo, cor da pele, olhos, cabelo, formato do corpo, peso, altura e idade não o fazem deixar de ser você.

Então onde reside o seu Eu essencial sem o qual você deixaria de ser você?

Além do mais o corpo nem é seu, você não tem um controle nem sobre o básico, o que dirá sobre a morte? Embora alguns iludidos tentem é bem óbvio seu fim.

Se você sente prazer aqui ou ali, se come isso ou aquilo e se põe brincos neste ou naquele lugar, nada disto é essencial.

Então, cadê o Eu?

3° Serei Eu a mente?

Uma pergunta respondida com outra: visto que o conceito de ilusão não recai sobre se algo existe ou não no agora, mas 
se algo é transitório ou não, então O QUE na mente é permanente?

Pensamentos passam? Emoções passam? Sua forma de pensar e interagir com o mundo muda?

Se tudo isso é impermanente então onde está aquilo permanente que me faz dizer "eu" desde que "eu sei que eu sou eu"?

4° Então quem serei Eu?

Se tudo isso que estou apontando o dedo para quem mostra como "não-eu", e se eu apontar o dedo para aquele que está apontando o dedo?

Portanto aquilo que faz com que eu seja eu é justamente quem pergunta.

E o engraçado é que quem pergunta tenta olhar para fora para se achar naquilo que está vendo.

E é aí que começa o problema, quando você começa a pensar que é algo que você não é e começa a buscar sua felicidade nisso.

Pela própria impermanência do visível o resultado não poderia ser outro a não ser frustração e sofrimento. Pois tudo aquilo que é chamado de desejo é na verdade o desejo pela nossa Real Natureza travestido de desejo pelo impermanente.

A natureza d'Aquilo que Vê é eterna, está fadada a ver tudo vir, permanecer por um tempo e ir embora. Os bens materiais, as pessoas que gostamos, o animalzinho de estimação e até mesmo seu próprio corpo.

Mas a natureza d'Aquilo que Vê também é paz, calma e amorosidade

“Shankar, se é assim porque eu sofro tanto?”

Que sofrimento?

O que eu vejo é apenas um pensamento. Um pensamento de ser algo que não és. Semelhante a uma brincadeira de esconde-esconde de Deus consigo mesmo.

E esse não é o problema, porque se eu me iludo sabendo que é uma ilusão eu não me iludo em realidade.

Qual o problema então?

A priori, nenhum. Mas a mente cria problemas onde só há paz.

E o problema é ser sério e levar-se a sério demais. É não ter consciência que o bom passa, o mal passa e Eu permaneço. É não rir deste ridículo de ser Deus e achar que sofre, que não está pronto, que precisa de "preparação" para ser quem você já é (isso é apenas uma mera ideia dissolvível num estalar de dedos).

O problema é não abrir a casa para o Silêncio.

(pausa)

Mas como ter a firme e serena certeza de que somos isso, assim como posso ver em você?

O que eu tenho a dizer sobre isso?

"Na prática de meditação profunda há o recolhimento dos meios de expressão da consciência, então ela fica sem conteúdo e reflete a quem você é."

Quer saber quem tu és? Como vivenciar isso?
Praticando meditação.

O Ser refletirá a si mesmo, reconhecendo-se no visível.

Então os probleminhas do corpo e da mente empalidecem e emudecem perante o Silêncio que brota.


Fique alerta!
AdeshaH

Monge Shivaraja
(Swami Shivaraj Shankar Nath)


 
 
Monge Shankar
mongeshankar@hotmail.com

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